sexta-feira, 12 de maio de 2017

O que é o conhecimento


Ontem à noite, já em minha cama, de luz apagada, sentindo aquele agradável relaxamento que antecede o sono, entregue a devaneios, quase sonhos, fui violentamente trazida de volta à realidade por estranho ruído.
Seria uma porta batendo? Alguém teria entrado em minha casa?
Algo que caíra lá fora?
O salto de um gato descuidado?
Ou será que minha imaginação teria pregado uma peça em meus sentidos quase adormecidos?
O ruído teria sido real ou imaginado?
"Como saber?" ou "como conhecer?" é uma das perguntas fundamentais que vêm perseguindo o ser humano desde que o homem é homem. As respostas têm sido as mais variadas, dependendo da cultura, do período histórico, do próprio saber acumulado, do aparato tecnológico etc.
Hoje conhecemos o aspecto das crateras lunares porque temos acesso a várias informações, inclusive às imagens transmitidas pelos satélites. Na Grécia antiga, algumas pessoas consultavam o Oráculo de Delfos quando tinham algum problema grave. Os egípcios liam seu destino nas entranhas de pássaros e outros animais. No mundo contemporâneo, há os que jogam búzios, recorrem às cartomantes ou ao Taro. Há os que leem livros e fazem pesquisas.
Como saber qual desses conhecimentos é verdadeiro? Sempre que nos indagamos a respeito do conhecimento estamos, automaticamente, tratando do problema da verdade. A história da busca do conhecimento é a própria história da busca da verdade.


O conhecimento - fundamentos para a redação


Dá-se o nome de conhecimento à relação que se estabelece entre um sujeito cognoscente (ou uma consciência) e um objeto. Assim, todo conhecimento pressupõe dois elementos: o sujeito que quer conhecer e o objeto a ser conhecido, que se apresentam frente a frente, dentro de uma relação. Isso equivale a dizer que o conhecimento é o ato, o processo pelo qual o sujeito se coloca no mundo e, com ele, estabelece uma ligação. Por outro lado, o mundo é o que torna possível o conhecimento ao se oferecer a um sujeito apto a conhecê-lo. Só há saber para o sujeito cognoscente se houver um mundo a conhecer, mundo este do qual ele é parte, uma vez que o próprio sujeito pode ser objeto de conhecimento.

Por extensão, dá-se também o nome de conhecimento ao saber acumulado pelo homem através das gerações. Nessa acepção, estamos tratando o conhecimento como produto da relação sujeito-objeto, produto que pode ser empregado e transmitido.

O conhecimento pode ser concreto, quando o sujeito estabelece uma relação com um objeto individual. Por exemplo, o conhecimento que temos de um amigo determinado, com todas as suas características individuais. E pode ser abstrato, quando estabelece uma relação com um objeto geral, universal. Por exemplo, o conhecimento que temos de homem, como género.

No processo de abstração, o conceito torna-se mais extenso à medida que o conteúdo intuível (imediato) se torna mais pobre. O conceito de homem,
por exemplo, é muito mais extenso que o conceito de amigo, porque o primeiro recobre todo o género humano, incluindo homens e mulheres, jovens e velhos, amigos ou não. Além disso, o conteúdo passível de ser apreendido pela intuição sensível (conhecimento di-reto pelos sentidos) esvazia-se, uma vez que o conceito de homem "não tem cara, nem sexo, nem idade, nem cor, nem características de personalidade" definidas.

Assim, se de um lado o conhecimento abstrato nos ajuda a organizar e compreender um número imenso de acontecimentos, por outro ele nos afasta da realidade concreta. O verdadeiro conhecimento se dá dentro do processo dialético de ida e vinda do concreto para o abstrato, processo esse que jamais tem fim e que vai revelando o mundo humano na sua riqueza e diversidade.

Devemos, ainda, ressaltar que a relação de conhecimento implica uma transformação tanto do sujeito quanto do objeto. O sujeito se transforma mediante o novo saber, e o objeto também se transforma, pois o conhecimento lhe dá sentido.

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